segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Seminário aponta perspectivas e problemáticas da cultura popular e afroalagoana

Palácio de Airá, no bairro do São Jorge, sediou o seminário no 2º dia 
‘Múltiplos Olhares’ proporcionou durante quatro dias uma intensa discussão envolvendo estudantes, artistas, mestres e pesquisadores     

Daniel Maia – Jornalista


No período de 25 a 29 de Agosto, os alagoanos tiveram a oportunidade de participar do seminário Múltiplos Olhares, que abordou a cultura popular e afroalagoana cujo tema foi Gestão, Políticas Públicas e o Fazer Cultural em Alagoas. O encontro foi aberto na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e teve sequencia em recintos artísticos e religiosos da cidade.

Estiveram reunidos estudantes, professores, membros de entidades e instituições que representam a vivência cultural afro-periférica no Estado. Foram discutidas as perspectivas para o crescimento da visibilidade cultural em Alagoas e os impasses que dificultam a difusão da cultura popular.

Ao longo do evento um dos debates mais fomentados foi a diferenciação do conceito de cultura popular para folclore. O sociólogo Edson Bezerra levantou essa discussão ao referir-se a esse ponto como um dos desafios para o reconhecimento da cultura local. Segundo o docente, a palavra folclore remete a um significado que estigmatiza e fantasia modos de vivência tradicional de um povo.

Ainda na opinião de Edson, a cidade de Maceió é caracterizada pela exclusão e a impossibilidade de junção entre a cultura oriunda da periferia e os locais considerados centros da cidade.

“Infelizmente Maceió foi estruturada para exclusão social”, afirma Bezerra, ao questionar as condições de assistência artística, e complementa:

“existe uma Maceió que poucas pessoas conhecem, mas a cultura fica impossibilitada de ser divulgada porque a própria estrutura sistemática da cidade não favorece a inclusão. Isso a começar pela questão do deslocamento, no qual o povo tende a se render a horas de espera pelo transporte, e o alto valor das passagens”, frisou.

Os espaços de discussão tiveram prosseguimento nos dias 27, 29 e 30 de Agosto. Os participantes que se fizeram presentes em 50% do evento receberão certificados. Este evento foi realizado pela Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas (SECULT-AL) e teve o apoio dos grupos com atuação sociocultural e artística de Maceió como a Associação dos Folguedos Populares da Zona Sul, Associação Alagoana de Hip, Hop Guerreiros Quilombolas, Amigos do Mar (Vila Emater), Afoxé Oju Omin Omorewá, Abassá de Angola de Oyá Igbalé, Arca da Cultura Popular, Ilê Axé de Oxum Pandá, Projeto Cine OLHO VIVO.

2 comentários:

  1. Muito boa a iniciativa do seminário... É uma Pena ele ficar restrito a um pequeno grupo (estudantes, artistas, mestres e pesquisadores). A grande massa poderia ser privilegiada com esses debates também.

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  2. Ótimo espaço. Um blog de Resistência...! Olhe Cristiane, atingir um grande número de pessoas dentro de uma perspectiva que o seminário propõe é um desafio igualmente grande. Mas o seminário não foi restrito não, foi aberto. Levar as discussões a alguns núcleos da periferia e ampliar a relação entre os grupos, estava entre os objetivos do seminário, ok.

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