AO MEU REDOR

Daniel Maia

Ao meu redor eu vejo crianças brincando de roda
Cantando canções de seus antepassados
E o incenso do fumo no terreiro descansa
Os anciãos que tanto lutaram

Já não existem mais como mostram na TV não na minha região
As casas são de taipa ou de tijolos
E a palha que antes cobria o teto se transforma em madeira, em telha

Antes de estar aqui pensei: vou estar na mata
Não há mata mataram a mata

E esse é o motivo de uma luta justa
Com interesses em reconquistar o que há tempos foi roubado
Hoje o Pankararu, Truká, Karuazú, não ficam seminus
Mas não deixam de usar o balanço do maracá

Ao meu redor eu vejo crianças brincando de roda
Ao meu redor eu vejo crianças brincando de roda

Uma crítica a vestimenta do meu povo não se pode tolerar
Antes não permitiam seus hábitos
Hoje o contrário querem cobrar

Saudações guerreiros
Saudações guerreiros do ar
Sua imagem deturpada considerada infantil
Selvagem ou banal nos acervos da história mascarada do Brasil chegará ao fim
Eu vejo em suas retomadas uma nova semente plantada
Uma nova proposta de sociedade
Que não tem como objetivo vender a dignidade em diferentes partes
Em diferentes partes...

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